segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Notícias do interior.

As ruas estão envelhecidas, há mato crescendo entre os blocos por todos os seus vãos. As calçadas estão quebradas, os portões corroídos pela ferrugem, os carros que rodam nas ruas são velhos. Vi jovens ociosos na frente de seus lares ao meio-dia, estavam estáticos olhando um pouco quem passava enquanto também conferiam as telas de seus celulares. Haviam outros poucos que voltavam desanimados de seus estudos, suas escolas. Assisti um andarilho oferecer um, como ele chamou, "trago" de seu cigarro fedorento a um servente de pedreiro conhecido dele que matava o tempo do trabalho encostado em uma caçamba de entulhos. Uma senhora retinta tentava retirar por conta pela raiz um pouco dos matos que cresciam enfrente seu lar. Praticamente todos os bueiros estão entupidos, a água da chuva se acumula entre a calçada e a rua, tem também muitos pinos de cocaína usados e descartados nas ruas ao redor do centro. Ao passar pelo túnel uma colegial dançou na minha frente, pois não se decidia se me atravessava por minha destra ou pela canhota. Nunca a vi. Não esbocei sorriso nem quando ela me olhou. Sei que é aluna pelo uniforme. As águas dos rios são chocolate e os céus são sempre acinzentados mesmo por aqui não tendo indústrias. O sol estava quente, mas a cidade é fria. Tudo por aqui está morto, da comida que se come aos sentimentos das pessoas. Ninguém acredita mais em seus pais, mães, irmãos, primos, amigos, atendentes, chefes, gerentes, padres, gurus, pastores, prefeitos e presidentes. Só há o caos, destruição, enganação, a mentira e a dor. Mas e eu? Você pode se perguntar. Eu envelheci sem ficar sábio.

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